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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Projeto Sexualidade - A difícil arte de adolescer


O projeto abaixo foi idealizado por mim e pela professora Barbara Satelles (minha alma gêmea pedagógica)... infelizmente não conseguimos colocá-lo todo em ação em 2010. Espero que em 2011 as coisas se acertem!

A difícil “arte” de adolescer

Séries finais do Ensino Fundamental II

JUSTIFICATIVA

Na atualidade, o excesso de informação, que chega a cada segundo por meio de veículos de comunicação (celulares, computadores e rádio), tem feito com que a capacidade de reflexão dos jovens seja prejudicada.

Tendo em vista que nosso aluno é um produto desse mundo globalizado, é necessário que se faça uma reflexão sobre a cultura tradicional e a que é imposta por esse mundo através dos veículos de informação.

A observação dos nossos alunos no ambiente escolar, das suas fotos em comunidades da internet e das conversas com eles resultaram nesse projeto, que visa não apenas orientá-los sobre a forma adequada de desenvolver a sexualidade, mas, principalmente, dar a eles uma oportunidade de refletir sobre suas ações e determinar, a partir disso, o tipo de vida sexual que querem promover para si mesmos.

Sabemos, entretanto, que algumas questões sobre sexualidade não são facilmente abordadas no ambiente escolar, e como nosso objetivo não se limita apenas a esclarecer como a sexualidade se desenvolve no ser humano, optamos por promover uma discussão em dois contextos diferentes, um momento com as meninas, com uma máscara de curso de maquilagem, moda e comportamento; e um momento com os meninos, com uma máscara de orientação sobre corpo saudável, mas abordando questões como identidade social, quem sou eu e como as pessoas me vêem.

Assim, nossa proposta prevê uma reflexão sobre a sexualidade, jogando ao chão citações como “esses jovens sabem mais do que nós, não precisam de orientação” e construindo com eles uma identidade sexual.

É válido ressaltar que não pretendemos orientá-los no sentido de ser heterossexuais, mas sim para que desenvolvam uma sexualidade saudável.

Assim, este projeto atende ao que propõem as diretrizes norteadoras da educação fundamental contidas na Lei no. 10.172/01, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e nas Diretrizes Curriculares para o ensino fundamental, propõe-se uma abordagem que valorize o paradigma curricular que possibilita a interdisciplinaridade, abre novas perspectivas ao desenvolvimento de habilidades para dominar esse novo mundo que se desenha (p.17).

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A literatura pedagógica há muitos anos vem produzindo material referente à sexualidade no ambiente escolar. Tal fato se deve à lógica de que a sexualidade é parte essencial do desenvolvimento humano e da vida, cabendo à escola colaborar para uma ampliação da consciência do educando frente às mudanças do seu corpo.

É preciso, antes de mais nada, partir da definição de sexualidade adotada neste projeto, para que se possa compreender a dimensão do trabalho que pretendemos realizar. Nesse sentido, a definição ideal para ele seria a proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que segue na íntegra:

A sexualidade humana forma parte integral da personalidade de cada um. É uma necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado de outros aspectos da vida. A sexualidade não é sinônimo de coito e não se limita à presença ou não do orgasmo. Sexualidade é muito mais do que isso. É energia que motiva encontrar o amor, contato e intimidade, e se expressa na forma de sentir, nos movimentos das pessoas e como estas tocam e são tocadas.

A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, ações e integrações, portanto a saúde física e mental. Se saúde é um direito humano fundamental, a saúde sexual também deveria ser considerada como direito humano básico. A saúde mental é a integração dos aspectos sociais, somáticos, intelectuais e emocionais de maneira tal que influenciem positivamente a personalidade, a capacidade de comunicação com outras pessoas e o amor.

Como vimos, a sexualidade não deve se limitar apenas aos quesitos relacionados à relação sexual, como temos visto nas escolas ao longo dos anos. É preciso que a escola ensine mais do que proteção contra doenças sexualmente transmissíveis e contra a gravidez indesejada, a escola precisa ter uma postura que forme o aluno de forma integral, compreendendo que a sexualidade ultrapassa os aspectos físicos.

Segundo Monika Baumamnn (2009), no artigo O que é educação sexual, afinal?, os objetivos de promover a educação sexual devem estar relacionados ao conceito de sexualidade, que pode ser definido segundo uma das concepções do dicionário Aurélio como O conjunto dos fenômenos da vida sexual. É importante ressaltar que a educação sexual não deve se centrar apenas nos conteúdos relacionados às disciplinas de ciências, mas que também não se deve ater-se exclusivamente aos afetos (em que se desenvolve a autoestima, o amor ao próximo, o respeito mútuo etc.).

Em Juventude e Adolescência no Brasil – referências conceituais, os autores tratam da questão da adolescência e da juventude, em decorrência disso, explicam a partir de três pontos de vista (a teoria psicanalítica, a sociológica e a de Piaget) porque este período é tão complexo.

Segundo eles, a teoria psicanalítica acredita que a adolescência se caracterize como o resultado do desenvolvimento que ocorre na puberdade, levando a modificações do equilíbrio psíquico e produzindo vulnerabilidade de personalidade, resultando na intensificação da sexualidade e na modificação dos laços com a família em prol de novas relações sociais. Assim, o indivíduo passa por uma crise de identidade ao construir sua identidade social. (p.12)

Já a teoria sociológica pensa a adolescência como resultado de tensões e pressões que vêm do contexto social fundamentalmente relacionado com o processo de socialização por que passa o sujeito, e a aquisição de papéis sociais (p.12). É preciso ressaltar, nesse ponto, que durante a adolescência o jovem entra em conflito consigo mesmo, pois não sabe exatamente o que quer ser, quem é, o que representa e ainda não tem um papel ativo na sociedade, de forma que muitos dos seus conflitos são gerados por fatores externos a si.

A teoria de Piaget, por outro lado, atribui as mudanças no pensamento durante a adolescência aos fatores sociais e individuais, pois crê que o sujeito tende a elaborar planos de vida e a sofrer transformações afetivas e sociais na interação entre esses fatores.

O livro também abarca a percepção da UNICEF sobre tal período de vida, mostrando que segundo o conceito adotado pela instituição, as necessidades e os direitos desse grupo abarcam desde a educação básica e profissional até a formação de valores e a socialização, em que estaria, então inserida a promoção da saúde que envolve a iniciação e o desenvolvimento da sexualidade, evitando riscos que comprometam a saúde e a vida, como as DST’S, a AIDS, gravidez precoce, aborto etc.

O estudioso Philippe Perrenoud (2000), em seu livro 10 novas competências para ensinar, na competência 9, a saber “Enfrentar os deveres e dilemas éticos da profissão”, que cabe à escola lutar contra os preconceitos e as discriminações sexuais, étnicas e sociais, não sendo o bastante ser individualmente contra tais males sociais, mas sim socialmente, de forma que os valores e comprometimentos do professor frente a eles são decisivos para formar alunos mais tolerantes às diferenças.

Entretanto, para assegurar ao aluno uma aprendizagem sobre a sexualidade, é preciso que o professor se aproprie de conhecimentos que possibilitem uma percepção mais cientifica e ética do que subjetiva. Assim, é interessante lembrar que durante o XV Congresso Mundial de Sexologia ocorrido em Hong Kong – China, realizado em agosto de 1999, na Assembléia Geral da World Association for Sexology, foi decretada a seguinte declaração, relacionada aos direitos sexuais.

DECLARAÇÃO DOS DIREITOS SEXUAIS

O DIREITO À LIBERDADE SEXUAL - A liberdade sexual diz respeito à possibilidade dos indivíduos em expressar seu potencial sexual. No entanto, aqui se excluem todas as formas de coerção, exploração e abuso em qualquer época ou situação da vida.

O DIREITO À AUTONOMIA SEXUAL - INTEGRIDADE SEXUAL E À SEGURANÇA DO CORPO SEXUAL - Este direito envolve habilidade de uma pessoa em tomar decisões autônomas sobre a própria vida sexual num contexto de ética pessoal e social. Também inclui o controle e o prazer de nossos corpos livres de tortura, mutilações e violência de qualquer tipo.

O DIREITO À PRIVACIDADE SEXUAL - O direito de decisão individual e aos comportamentos sobre intimidade desde que não interfiram nos direitos sexuais dos outros.

O DIREITO À IGUALDADE SEXUAL - Liberdade de todas as formas de discriminação, independentemente do sexo, gênero, orientação sexual, idade, raça, classe social, religião, deficiências mentais ou físicas.

O DIREITO AO PRAZER SEXUAL - prazer sexual, incluindo auto-erotismo, é uma fonte de bem estar físico, psicológico, intelectual e espiritual.

O DIREITO À EXPRESSÃO SEXUAL - A expressão sexual é mais que um prazer erótico ou atos sexuais. Cada indivíduo tem o direito de expressar a sexualidade através da comunicação, toques, expressão emocional e amor.

O DIREITO À LIVRE ASSOCIAÇÃO SEXUAL - Significa a possibilidade de casamento ou não, ao divórcio e ao estabelecimento de outros tipos de associações sexuais responsáveis.

O DIREITO ÀS ESCOLHAS REPRODUTIVAS LIVRES E RESPONSÁVEIS - É o direito em decidir ter ou não filhos, o número e o tempo entre cada um, e o direito total aos métodos de regulação da fertilidade.

O DIREITO À INFORMAÇÃO BASEADA NO CONHECIMENTO CIENTÍFICO - A informação sexual deve ser gerada através de um processo científico e ético e disseminado em formas apropriadas e a todos os níveis sociais.

O DIREITO À EDUCAÇÃO SEXUAL COMPREENSIVA - Este é um processo que dura a vida toda, desde o nascimento, e deveria envolver todas as instituições sociais.

O DIREITO À SAÚDE SEXUAL - O cuidado com a saúde sexual deveria estar disponível para a prevenção e tratamento de todos os problemas sexuais, preocupações e desordens.

Aqui, nos interessam evidentemente os direitos 1, 2, 10 e 11, cujo texto remete a relações que não são apenas de escolha do indivíduo, mas devem ser proporcionadas pelas instituições e sociedade.

Atrelada a esta declaração, firmou-se a Declaração de direitos sexuais das crianças e adolescentes, formulada pelo Instituto Brasileiro de Inovações em Saúde Social (IBISS). Vejamos.

DIREITOS SEXUAIS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Crianças e adolescentes têm o direito de serem ouvidos, respeitados eatendidos em suas legitimas reivindicações;

Crianças e adolescentes têm o direito a uma educação que promova sua condição de ser em formação, garantindo um desenvolvimento pleno e saudável;

Uma criança tem o direito de conhecer seu corpo;

Uma criança tem o direito de descobrir sua masculinidade e feminilidade;

Um adolescente tem o direito à descoberta e ao exercício de sua sexualidade junto a seus pares;

Um adolescente tem o direito a livre expressão de sua orientação afetivo-sexual;

Um adolescente tem o direito a relação consensual amorosa;

Crianças e adolescentes têm o direito a dizer não a toda forma de abuso e exploração sexual seja incesto, pornografia ou prostituição;

Crianças e adolescentes têm o direito a dizer não a toda forma de violência e maus tratos seja verbal, físico ou psicológico.

Nesse ponto é importante ressaltarmos que quando uma declaração de direitos é escrita isso indica naturalmente esses direitos não são garantidos a todos, assim, cabe à escola gerar a promoção da educação sexual, levando as crianças e adolescentes a conhecerem seus direitos e tomarem posse deles.

O livro Juventudes e sexualidade, de Castro, Abramovay e Silva, trabalha com aspectos da sexualidade, abordando inclusive a missão de escola e as mudanças ocorridas na historicidade da sexualidade. Nesse sentido, o trecho abaixo nos serve à medida que traduz com clareza a definição da OMS e ainda oferece uma perspectiva sobre a função disciplinadora na escola em relação ao desenvolvimento dessa dimensão humana.

A sexualidade é uma das dimensões do ser humano que envolve, gênero, identidade sexual, orientação sexual, erotismo, envolvimento emocional, amor e reprodução. É experimentada ou expressa em pensamentos, fantasias, desejos, crenças, atitudes, valores, atividades, práticas, papéis e relacionamentos. Além do consenso de que os componentes socioculturais são críticos para a conceituação da sexualidade humana, existe uma clara tendência, em abordagens teóricas, de que a sexualidade se refere não somente às capacidades reprodutivas do ser humano, como também ao prazer. Assim, é a própria vida.

Envolve, além do nosso corpo, nossa história, nossos costumes, nossas relações afetivas, nossa cultura. Com tal cuidado sobre a plasticidade do conceito de sexualidade passa-se a seguir a breves referências sobre sua historicidade, enfatizando que a preocupação particular com a juventude e a escola ganha força em tempos de preocupação não somente com reprodução, vetor antigo da ênfase em disciplinar a sexualidade, mas com a expansão da Aids. Focaliza-se então, em seção específica, a relação entre sexualidade e escola. (p.32)

As autoras retomam Groppa Aquino (1997: 7) citando que “no imaginário de pais, professores e alunos, a díade educação/sexualidade é, quase invariavelmente, um ingrediente exótico de uma receita, ao final, indigesta”. Sobre o que concluem que

“Para alguns autores, a intervenção da escola no campo da sexualidade além de complexa, tem riscos, considerando-se que a escola é intrinsecamente orientada para disciplinamentos, ênfase na razão e no controle, preocupando-se em ministrar conhecimentos especializados e ensinar para a vida em coletividade. Já a sexualidade pede observação de desejos, individuação e atenção para as tênues fronteiras entre prazer, libido e pulsões e o fixar limites para que tais orientações individuais não ponham em risco projetos civilizatórios, a convivência e o direito do outro. (p.34)

E relação à forma como a escola tem tratado da educação sexual, as autoras esclarecem que na atualidade a escola tem desenvolvido um trabalho voltado para a perspectiva higienista, que trabalha com o corpo de forma parcial, adotando conceitos de assepsia, controle e prevenção – é a perspectiva que acredita que a sexualidade deve ser trabalhada apenas nas aulas de ciências biológicas (p.39). E que mesmo quando procuram uma postura mais dialogada, acabam por fazê-lo de forma orientadora e recheada de ideologias, mais baseada em “achismo” do que em ciência, propriamente dita.

As autoras citam Louro (1998: 87/88) que observa que:

É indispensável admitir que a escola, como qualquer outra instância social, é, queiramos ou não, um espaço sexualizado e generificado. Na instituição escolar, estão presentes as concepções de gênero e sexuais que, histórica e socialmente, constituem uma determinada sociedade. A instituição, por outro lado, é uma ativa constituidora de identidades de gênero sexuais. (p.40)

E em seguida, Groppa Aquino (1997: 9) que salienta que ainda que os professores não admitam:

A sexualidade insiste em mostrar seus efeitos, deixar seus vestígios no corpo da instituição (...). Ela se inscreve, literalmente, às vezes, na estrutura das práticas escolares. Exemplo disso? As pichações nos banheiros, nas carteiras, os bilhetes trocados, as mensagens insinuantes. O que dizer, então, dos olhares à procura de decotes arrojados, braguilhas abertas, pernas descobertas? E aquele(a) professor(a) ou colega de sala, para sempre lembrado(a) como objeto de uma paixão juvenil?

O fato é que a sexualidade já deveria estar inserida no currículo, seja como conteúdo das disciplinas biológicas, seja como tema transversal a ser discutido por todas as disciplinas por meios de projetos interdisciplinares. Nesse sentido, por considerar tal aspecto do desenvolvimento humano essencial para a formação de uma sociedade consciente e saudável, este projeto propõe a promoção de um trabalho conscientizador sobre os aspectos da sexualidade.

OBJETIVOS GERAIS

Valorizar a cultura e o desenvolvimento dos alunos;

Estimular o senso crítico;

Estimular e promover discussões;

Desenvolver e estimular a expressão corporal;

Contribuir para a integração do aluno na sociedade em que vive;

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Que os alunos possam:

Desenvolver o respeito à diversidade de valores, crenças e comportamentos relativos à sexualidade, reconhecendo e respeitando as diferentes formas de atração sexual e o seu direito à expressão, garantida a dignidade do ser humano;

Compreender a busca do prazer como um direito e uma dimensão da sexualidade humana;

Conhecer seu corpo, valorizar e cuidar de sua saúde;

Identificar e expressar seus sentimentos e desejos, respeitando os sentimento e desejos do outro;

Reconhecer o consentimento mútuo como necessário para usufruir praxes numa relação a dois;

Proteger-se de relacionamentos sexuais coercitivos ou exploradores;

Identificar suas responsabilidades e a de seu (a) companheiro (a) com decisão da primeira relação sexual (e das demais);

Reconhecer as conseqüências enfrentadas pelas adolescentes com uma gravidez não desejada e do plano médico, psicológico, social e econômico;

Reconhecer a eficácia da camisinha, tabelinha, anovulatório e a necessidade do sexo seguro;

Desenvolver e construir uma opinião própria sobre o aborto a partir da análise dos fatores nele envolvidos.

ATIVIDADES PROPOSTAS

Curso de maquilagem (meninas);

Palestra com personal trainner sobre cuidados com o corpo (meninos);

Orientação sobre higiene pessoal e alimentação saudável;

Sensibilização;

Vista de filmes;

Palestras;

Agendamento de palestras com profissionais das áreas de Saúde e Psicologia;

Roda de conversa.

AVALIAÇÃO

Contínua

PÚBLICO ALVO

Alunos do Ciclo II:

CRONOGRAMA DO PROJETO

LOCAL DE REALIZAÇÃO

Salas de aula

Anfiteatro

Sala multi-uso

RECURSOS

Maquilagem

DVD Player

TV

TNT

Papelaria em geral

Isopor

Cópias Xerox

Rádio

Teatro

PROFESSORES

BIBLIOGRAFIA

ABRAMOVAY, M. CASTRO e LORENA, M. SILVA, B. Juventudes e sexualidade.Brasília: UNESCO Brasil, 2004.

MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo:

UNESCO, Editora Cortez, 1999.

GROPPA AQUINO, J. (Org.). Sexualidade na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus Ed., 1997.

SITES CONSULTADOS

http://www.cdcc.sc.usp.br/escolas/esterina/PROJETO_SEXUALIDADE_HUMANA.htm. Acesso em 10 de setembro de 2010.

http://www.marilandes.com.br/saiba_sex.htm Acesso em 02 de novembro de 2010

http://www.ibiss.com.br/dsex_destaque.html Acesso em 02 de novembro de 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Tipologia e gênero textual na sala de aula

O ensino de língua portuguesa sofreu alterações preciosas nas últimas décadas, pois a forma como trabalhamos produção e leitura de textos foi modificada a partir das contribuições trazidas por Bahktin e por outros estudiosos da linguísticas (como Koch e Fiorin, no Brasil). O fato é que já não é mais possível fazer leituras dissociadas de contexto histórico e social e que é preciso trabalhar produções e leituras de textos a partir da perspectiva das tipologias e gêneros textuais.
Quando iniciei minha carreira no magistério, já gostava muito de linguística e escrevo por diversão sempre procurei trabalhar a leitura e produção de textos de forma divertida. Partindo disso, acredito que contar uma das práticas é sempre mais relevante do que defender uma ideia que já foi comprada e distribuída.
Certa vez, com turmas de 7ºano (Na E.E. Leda Guimarães Natal), entrei na sala e dividi a lousa em três partes de tamanhos mais ou menos iguais. Na primeira, escrevi a receita de brigadeiro (é importante colocar todos os elementos da receita), na segunda escrevi vários poeminhas de Quintana (escolha com e seu rimas) e deixei a terceira em branco.
Sugestão de receitaBRIGADEIRO
Ingredientes 1 lata de Leite MOÇA® Tradicional 3 colheres (sopa) de Chocolate em Pó  1 colher (sopa) de manteiga
 1 xícara (chá) de chocolate granulado
 Manteiga para untar
Modo de PreparoEm uma panela, coloque o LEITE MOÇA®, o Chocolate em Pó DOIS FRADES® e a manteiga. Misture bem e leve ao fogo baixo, mexendo sempre até desprender do fundo da panela (cerca de 10 minutos). Retire do fogo, passe para um prato untado com manteiga e deixe esfriar. Enrole em bolinhas e passe pelo chocolate granulado. Coloque em forminhas de papel.Rendimento: 40 brigadeiros
Tempo de Preparo: 30 minNível de Dificuldade: FácilCusto: $ - Baixo

Poeminhas do Mário Quintana
DAS UTOPIAS
Se as coisas são inatingíveis... ora!Não é motivo para não querê-las...Que tristes os caminhos se não foraa mágica presença das estrelas!
BILHETE
Se tu me amas,ama-me baixinho.
Não o grites de cima dos telhados,deixa em paz os passarinhos.
Deixa em paz a mim!
Se me queres,enfim,
....tem de ser bem devagarinho,....amada,
....que a vida é breve,....e o amor....mais breve ainda.
DA OBSERVAÇÃONão te irrites, por mais que te fizerem...Estuda, a frio, o coração alheio.Farás, assim, do mal que eles te querem,Teu mais amável e sutil recreio...
DA DISCRIÇÃONão te abras com teu amigoQue ele um outro amigo tem.E o amigo do teu amigoPossui amigos também...
(os dois últimos são particularmente bons, pois trazem os verbos no imperativo)



Em seguida, perguntei aos alunos o que era aquilo na lousa. Rapidamente me disseram que era uma receita, mas tiveram várias opções para as trovas (poemas, poesia, versinhos, música, rimas etc). Perguntei como sabiam e a maioria deles respondeu de forma irritada, como se fosse a coisa mais natural do mundo saber que textos eram aqueles (mesmo os que nunca tinham lido aquela receita que coloquei e os versinhos ali postos). Então retomei com eles a questão da estrutura dos dois textos (Acho interessante colocar os elementos textuais em um papel pardo, com letras grandes, para depois colar na parede). Terminado isso, falei que poderiam adiantar a conversa, porque eu colocaria um segundo texto. Então escrevi algo como:

RECEITA PARA IRRITAR PROFESSOR


Ingredientes1 professor1 aluno mal-educado39 alunos comuns10 palavrões1 lata de lixo10 folhas de papel

Modo de preparoColoque todos os alunos numa sala de aula (inclusive o mal-educado). Distribua as folhas de papel aleatoriamente e faça uma bola com uma e peça que joguem na cabeça de alguém. Faça um avião com outra folha e peça que o joguem pelo ar, não se preocupe com as outras, automaticamente se tornarão bolas ou aviões.Os alunos que receberem as boladas distribuirão os palavrões pelo ambiente. Um aluno mal educado deve chutar o lixo, derrubando toda a sujeira pela sala.Chame o professor (ou espere que ele apareça caso toque o sinal). Pode servir!É suficiente para cerca de 10 professores, 1 diretor e 2 coordenadores presentes.Cuidado para não servir quente demais, pode ser servido com convocação para os pais de sobremesa.Não misture todos os ingredientes de uma única vez, há risco de suspensão coletiva e reunião de pais com urgência.Tempo de preparo: 5 minutosNível de dificuldade: Fácil, não precisa de ajuda de adultos.


É claro que os alunos pararam de conversar enquanto eu escrevia a receita na lousa (para cada sala eu trabalhava uma receita final diferente), eu os ouvia rindo, brincando, sugerindo nossos passos. Foi muito divertido.
Em seguida, perguntei que texto era aquele. Então começou uma briga, uns diziam que era receita, outros que eram instruções, alguns, manual etc. Então eu expliquei para eles que todos estavam certos, que eu havia misturado os diferentes gêneros que eles conheciam em um único texto e que agora era a vez deles de criar. Ao que sugeri alguns temas, como receitas de amor, raiva, inveja, jogo de futebol, paixão, namorado perfeito etc., que deveriam ser escritos baseados na estrutura da receita (com ingredientes e modo de preparo, verbos no imperativo, por exemplo), mas com temas que não podiam ser feitos no forno e fogão.
Ainda tenho alguns textos dos alunos. Ficaram maravilhosos e eles adoraram, fizeram, inclusive uma exposição no corredor com os melhores textos.
É isso!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Ensino de vocabulário

Ensinar? Ensinar... Ensinar!

Conceito complicado esse de ensinar vocabulário. Pode-se ensinar tudo, qualquer coisa, a qualquer pessoa e em qualquer lugar, mas o problema não está em ensinar, o quê da questão está no aprender.

Acredito que seja possível ensinar vocabulário, mas como uma prática cotidiana. É inviável montar um plano de aula tendo como objetivo principal o ensino de vocabulário, mas como objetivo secundário, sempre que executamos a leitura de um texto ou mantemos um diálogo com os alunos estamos ensinando vocabulário para eles, e ampliando seu repertório.

Sugiro, pois, algumas práticas que eu realizo desde que comecei a dar aulas.
O vocabulário de um adulto (especialmente se este tem nível superior) é, geralmente, mais abrangente que o das crianças. Entretanto, não acredito que o professor deva o tempo todo modificar sua forma de falar para lecionar, pois o encontro do vocabulário mais complexo do professor com o vocabulário em processo de enriquecimento do aluno, gera no aprendiz curiosidade e ao depreender o sentido (ou perguntar ao professor o que ele quis dizer) o aluno vai se apropriando de palavras que originalmente não fariam parte do seu repertório.

Conheço muitos colegas que ao começar a dar aula "empobreceram" seu vocabulário, pois ficam sempre em busca de adequá-lo ao de seus alunos, sem perceber que o uso de palavras desconhecidas é rico para eles.

Eu procuro, nesse sentido, trazer pelo menos uma palavra nova ao dia e sempre que possível ler textos com palavras que não façam parte do uso dos alunos.

A piadinha abaixo (talvez infame) mostra o quanto somos receosos diante de novas palavras. Vejamos:

"Organizando as FINANÇAS

Para mostrar ao filho o valor do dinheiro e tentar diminuir suas despesas, a mãe ensinou o menino a escrever uma lista de tudo que gastava com a sua mesada. Um dia, enquanto anotava suas despesas, o garoto disse:
- Sabe mamãe, desde que comecei a anotar tudo que gasto, sempre penso antes de comprar.
A mãe ficou toda contente, até que o filho completou:
- Nunca compro nada que seja difícil de escrever!"

http://atrevidinha.uol.com.br/atrevidinha/beleza-idolos/67/artigo154263-1.asp

Será que nós professores também não acabamos vendendo pros alunos apenas aquilo que é mais fácil de explicar?

Outro modo: é comum que as atividades que desenvolvam vocabulário façam também o uso do dicionário. Mas qual sentido damos de verdade a essa prática? Eu percebi, depois de 2 anos trabalhando com dicionário do jeito que meus professores fizeram comigo (localizar a palavra, copiar os sentidos presentes no caderno e fim) que essa prática nunca me ensinou nada de vocabulário (triste!), então continuei a trabalhar o uso de dicionário com meus alunos, mas eu peço que localizem a palavra, verifiquem pelo contexto qual o significado mais apropriado e anotem apenas aquele que faz sentido.

Pode-se ainda pedir que o aluno construa frases com essa palavra, mas também é preciso pensar se vai haver sentido em tal atividade ou apenas a repetição do vocábulo sem contextualização verdadeira,

É isso...