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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Musgo

O musgo

Adoro pisar no musgo
pegar nele
desde criança

Lembro de sentar no quintal
na casa da minha avó
e ficar pisando, depois pegando
coisa de maluco

O musgo é daquelas coisas
que deixam o mundo mais confortável
ele cobre pedras! Puts! Pedras!
e as deixam confortavelmente macias!
(e úmidas, mas isso a gente releva)

O musgo,
o musgo é lindo!

(Vc não precisa concordar comigo... e não, isso não é poesia)

Roteiro de trabalho – Fábula Eleitoral para Crianças




1 Série a que se destina:
3º Ano - EM e/ou 9º ano EF


2 Objetivos:
Desenvolver as competências leitoras e escritoras de textos literários dentro da tipologia narrativa, com presença de argumentação e figuras de linguagem.
Explorar os gêneros fábula e crônica (inter-relacionar os gêneros)
Explorar o texto e a percepção dos conectivos e suas funções
Identificar o tema do texto
Desenvolver leitura crítica e analítica

3 Conceitos explorados:
Elementos da fábula 
Elementos da crônica 
Argumentação 
Conectivos.

4 Reprodução do texto utilizado:

Fábula eleitoral para crianças
Paulo Mendes Campos

Um dia, as coisas da natureza quiseram eleger o rei ou a rainha do universo. Os três reinos entraram logo a confabular. Animais, vegetais e minerais começaram a viver uma vida agitada de surtos eloquentes, manobras, recados furtivos, mensagens cifradas, promessas mirabolantes, ardis, intrigas, palpites, conversinhas ao pé do ouvido.

Entre os bichos era um tumulto formidável. Bandos de periquitos saíam em caravana eleitoral, matilhas de cães discursavam dentro da noite, cáfilas de camelos percorriam os desertos, formigas realizavam comícios fantásticos, a rainha das abelhas passava com o seu séquito, sem falar nos cardumes de peixes, nos lobos em alcatéias pelos montes, nas manadas de búfalos pelas savanas, nas revoadas instantâneas dos pombos-correios.

Todas as qualidades eram postas à prova: a astúcia da raposa, a agilidade dos felinos, o engenho dos cupins, o siso da coruja, o poder de intriga das serpentes, a picardia do zorro, a doçura da pomba, a teimosia do burro, o cosmopolitismo dos ratos.

O leão, o tigre, a pantera, o leopardo e outros queriam derramar muito sangue; pássaros coloridos faziam frente única para indicar um pássaro colorido; já os pássaros que cantam decidiram apontar como candidatos o rouxinol, a cotovia, a patativa; as cegonhas, irresolutas, passavam tardes pensando; os patos s­elvagens desfilavam no céu; as andorinhas, tímidas, buscavam o refúgio das igrejas; e a águia, fascista de nascença, pretendia organizar lá no alto uma conferência de que só participassem as aves de rapina, como o falcão, o condor e o gavião-de-penacho.

Os papagaios viviam a arengar bobagens pelas árvores; a raposa corria as várzeas articulando uma candidatura, ninguém sabia qual; os macacos eram vaiados quando alegavam a semelhança com o homem; o cavalo se insinuou candidato, dado a sua condição de antigo senador. O pavão, escondendo os pés, exibia a cauda; nos brejos, os sapos repetiam slogans monótonos; os jacarés e as tartarugas ressonavam na beira dos rios, que passavam levando sussurros quase imperceptíveis, a conversar as pedras e as ervas das margens; o rato do campo ia de vez em quando se aconselhar com o rato da cidade; os gansos citavam velhos costumes romanos; certos bichos, como o boi e a íbis, invocavam direitos divinos, que não eram muito levados a sério; as hienas e os chacais opinavam por um conselho de notáveis, a ser constituído pelos animais ferozes, que lhe deixavam os restos; até a ameba, coitada, queria ser candidata, dizendo-se a origem da vida.

A mosca azul voava e revoava por todos os cantos. Quem será o rei ou a rainha do universo? De dia, as borboletas andavam como doidas pelos campos, à noite, os vaga-lumes acendiam as suas luzes.

Nas profundezas da terra, o carbono fazia estranhas combinações com o hidrogênio. O diamante e o ouro reluziam de esperança. As estrelas pretendiam uma coalizão de todo o espaço constelado em torno de Vênus, causando ciúmes à Lua.

As flores distribuíam perfumes. Árvores agitadas recebiam recados que os ventos traziam de longe. A floresta pensava eleger não um rei, mas um colegiado de carvalhos, velhos, cheios de experiência. E por toda a flora era um germinar, um brotar, um verdejar, um florescer, os monocotiledôneos discordavam dos dicotiledôneos, os fanerógamos acusavam de hipocrisia os criptógamos. A plena campanha eleitoral com todos os incidentes. Só os ciprestes continuavam fechados em sua indiferença.

A despeito dos interesses em choque, e de tantas contradições, é preciso dizer, a bem da verdade, que o pleito transcorreu com a máxima lisura.

Ao fim de tudo, a escolha não podia ter sido mais feliz, pois os três reinos unidos elegeram a rosa rainha suprema do universo.

Sim, a rosa, a rosa na sua simplicidade tocada de esplendor, presa na sua haste entre o céu e a terra, eterna e efêmera, a rosa, carne, espírito e pó. E para entronizar a rainha, o dia se iluminou com a sua luz mais clara, o mar se fez manso, os pássaros cantaram com inspiração, as árvores se puseram mais verdes e mais altas, as flores vestiram roupagens de gala, os seixos rolaram alegremente nas praias, os juncos das lagoas se inclinaram em reverência, as nuvens se desfraldaram como cortinas de gaze sobre o berilo. No fundo do mar era uma alegria silenciosa e solene como um Te-Deum em uma catedral verde-escuro, os polvos gesticulando em câmara lenta, os peixes e as medusas passando sem barulho.

Entre os seres humanos, só as crianças sabiam que era o dia da entronização da rosa, e nada contaram a ninguém. Mas pelo jardim onde se achava a rosa, expectante no seu recato soberano, passava naquela manhã um homem feio e preocupado. Era um candidato a qualquer coisa, a vereador, a deputado, a Presidente da República, não se sabe ao certo. Distraído com as suas ambições, ele colheu a rainha do universo, que entrou logo a fenecer em suas mãos úmidas. Depois, olhou e viu que se tratava de uma bela rosa, uma rosa digna de se oferecer a uma namorada. Mas ele não tinha namorada. Mal-me-quer, bem-me-quer, mal-me-quer... Ele começou a desfolhar a rosa só para saber se dessa vez seria eleito: à Câmara de vereadores, de deputados ou à curul da Presidência da República, não se sabe ao certo. E a rosa morreu. E foi por isso que o dia se fechou de repente, o céu ficou escuro, os animais uivaram nos bosques, os pássaros sumiram, o vento se desatou sobre o mar agora encapelado, o raio e o trovão tomaram conta da noite sem estrelas, e as crianças na hora do jantar perderam a fome. Tinha morrido a rainha do universo.

Mas nas trevas desabrochou outra rosa para iluminar com a sua beleza o jardim amanhecido.

5 Descrição da proposta:

Visa trabalhar a argumentação presente no texto intitulado Fábula eleitoral para crianças, estabelecendo uma relação intertextual entre os discursos eleitorais e a política atual e a apresentada na obra, por meio da análise do uso de conectivos.

6 Explicação das estratégias a serem utilizadas para o desenvolvimento da proposta:

a. Construção coletiva do conceito de Política, por meio da técnica Brainstorming (tempestade cerebral) que consiste em apresentar uma palavra ou tema aos alunos (na lousa e de forma central) e pedir que verbalizem imediatamente, sem certo e errado, sem julgamentos qualquer associação que lhe vier à mente, o professor deve, nesse processo ir anotando palavras chaves ou ideias chaves que surgiram, incentivando ainda mais manifestações e também anotando-as. O processo não deve durar mais do que três minutos. Seguido a isso, passa-se a construir o conceito, junto com os alunos, num canto da lousa. Mesmo que surjam ideias que não tenham nada a ver com o tema o professor deve anotá-las para que ao final seja feita a seleção, pelos próprios alunos, daquilo que é adequado, ou não.
Sugestão de palavras e temas para iniciar o Brainstorming: eleição; política, presidente; "como se escolhe um presidente?" - "Rei X Presidente" - "Governar para quem?"


b. Distribuição de cópia do texto

c. Discussão do título do texto. Os alunos poderão estranhar, na idade deles, ler um texto intitulado para crianças. Relembrar também o conceito e os elementos da fábula.

d. Explicar aos alunos que não devem se preocupar com os termos desconhecidos, pois eles não interferirão na compreensão final e poderão tirar as dúvidas no final da leitura.

e. Leitura do texto silenciosa seguida de leitura em voz alta, com intervenção do professor nos momentos em que julgar adequado.

f. Após a leitura o professor deve pedir que os alunos expressem suas impressões sobre o texto, especialmente sobre o final.

g. Retomar o título do texto e discuti-lo, questionando se realmente o texto foi escrito para crianças, o porquê, o que ele pode ensinar, etc. Explorar a noção de que apesar de intitulado fábula, trata-se de uma crônica, explorar os elementos da crônica (nas séries apontadas eles já trabalharam com esse gênero). Fazer a relação entre os gêneros e explicar porque o  autor (provavelmente) optou por intitula-lo como fábula.

h. Orientar os alunos a retirar (ou grifar) todas as palavras que façam referência à política.

i. Trabalhar com os alunos os conectivos, baseados no texto abaixo (do curso da Cogeae: Da leitura para Redação):

Gramática e Coesão Textual

O estabelecimento da coesão está ligado ao conhecimento do funcionamento da língua, ou seja, da gramática. Costuma-se associar a coesão ao emprego dos pronomes e à concordância. Entretanto, há muitos outros elementos da língua responsáveis pela coesão em um texto. Algumas palavras atuam especificamente na junção dos elementos do discurso, promovendo o que chamamos de coesão sequencial por junção. Essas palavras ocorrem num determinado ponto do texto indicando o modo pelo qual se conectam as porções que se sucedem.
Apresentamos algumas palavras que estabelecem a ligação, isto é, a junção entre as orações e que tipo de relação que elas estabelecem.

Relação de adição; CONJUNÇÃO
Exemplos:
Chove e faz frio.
Não me arrisco nem arrisco você.
Aí ninguém entra. Nem eu.
Ela é afetada, esnobe. E como representa, parece que está sempre no palco.

Relação de contraste, de desigualdade; CONTRAJUNÇÃO
Exemplos:
Fez o que quis mas levou na cabeça.
Jogou muito bem, contudo não conseguiu o título.
Foi à festa embora estivesse doente.
Depenava frangos e não ganhava nada.
Vou bem mas você vai mal.

Relação de alternância; DISJUNÇÃO
Exemplos:
Ou se usa luva ou se usa anel.
Estude bastante para os exames. Ou você já se esqueceu o que aconteceu no ano passado?

Relação de causa-consequência; CAUSALIDADE
Exemplos:
Não estudou e reprovado.
Ele gritou tanto durante o jogo que ficou rouco.
Falou baixo porque havia uma criança dormindo.
Trabalho aqui porque quero.
Se Paulo é homem então é mortal.

Relação de condição; CONDICIONALIDADE
Exemplos:
Caso a senhora não prestar contas, levaremos o problema ao diretor.
A menos que você seja um conselheiro treinado, deixe a tarefa para um profissional.
Se o trabalho não seguir conforme a instrução, delegue-o a outra pessoa.

Relação de finalidade; MEDIAÇÃO
Exemplos:
Fugiu para que não o vissem.
Saiu cedo para chegar a tempo na reunião.
Secou os cabelos a fim de evitar outro resfriado.

Relação de delimitação; RESTRIÇÃO
Exemplos:
Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.
Comprei os livros que você pediu.

j. Pedir que os alunos localizem no texto, em grupos de quatro alunos, exemplos de elementos coesivos.

k. Pedir que os alunos anotem no papel craft os conectivos encontrados e o número do parágrafo em que apareceram.

l. Colar os papéis craft na lousa, ou na parede e mostrar aos alunos as possíveis diferenças entre um e outro, apontando correções quando necessário. Pode-se criar com a sala uma legenda (com letras ou cores) para cada tipo de relação de coesão e pedir que os alunos a marquem no próprio texto.

m. O professor pode ainda explorar o uso da metáfora neste texto e a presença de substantivos coletivos.

n. O professor pode trabalhar a noção de referente, mas atentando para o fato de que o texto é bastante extenso e no decorrer dele apresenta vários termos que são retomados. Pode-se fazer uso disso para que os alunos localizem as palavras que fazem referência umas às outras, evitando a repetição desnecessária.

o. O uso da pontuação no texto também é interessante, pois a maioria dos alunos não usa adequadamente o ponto e vírgula.

p.Segundo sugestão da professora Silvia Albert, o professor pode ainda trabalhar as características dos animais apresentados na crônica e relacioná-las às figuras do cenário político atual, trabalhando, assim, a crítica e a ironia presentes no texto.

q. Pode-se ainda, segundo ela, trabalhar esses elementos na materialidade do texto, o que significaria um passo a mais no desenvolvimento dos processos de leitura e compreensão dos alunos. Nesse sentido, devemos trabalhar não só os conectivos, mas os operadores argumentativos presentes no texto.

Bibliografia
ANDRADE, C. D.; SABINO, F; CAMPOS, P.M.; BRAGA, R. Para gostar de ler – Volume 5 – Crônicas. São Paulo:Ática, 1980.
MASSETO, Marcos Tarciso. Competência Pedagógica do professor universitário . São Paulo: Simmus, 2003.

domingo, 26 de setembro de 2010

A terceira

O ambiente não era lá muito agradável e nem parecia com aquilo que ele esperava para prever seu futuro, sempre imaginara uma tenda com uma bela espanhola peituda vestida em tons de vermelho, verde e preto... Mas, não! Estava lá, sentada à sua frente, uma loira oxigenada. De certo que ela se considerava autodidata e teria estudado em livros de taro para prever o futuro dos outros, atribuindo a si mesma alguma forma de premonição, mas o futuro é um mistério mesmo... Que mal havia em ouvir a opinião dela?

É claro que ela teceu comentários dos mais variados naipes, falou que ele precisava aprender a guardar dinheiro, planejar o futuro, que um amigo não era confiável, que havia muita inveja sobre ele, nada que a mãe dele nunca dissera antes. Mas o que o marcou de verdade foi aquela frase, dita em ritmo pausado à La Matrix, a terceira, a terceira mulher com quem se envolver será o amor da sua vida, dissera aquilo com um olhar tão enigmático e vazio que parecia ter certeza absoluta do que estava dizendo.

No auge dos seus vinte e cinco anos ele provavelmente não queria encontrar tão logo o amor da sua vida, mas três mulheres, três, isso parecia tão pouco, depois parecia tanto, ele tinha uma namorada, porque não ela? Ela seria a número um ou deveria contar a partir dela? Se a mulher era mesmo vidente devia ter previsto que ele não acreditaria em nada do que ela disse e se poupado de tanto blábláblá... mas três. Agora sua vida não seria de busca, apenas de espera.

Pelo menos foi isso que pareceu no primeiro ano seguinte à consulta, lento, manso, ele nem chegou a amar, parecia que a vida estava com o freio de mão preso: playboy, sexo sem compromisso, cerveja, cigarros, música dos outros, reflexões que datavam de bem antes de aquela loira invadir sua vida com duas mulheres que não representariam nada e apenas uma, a terceira, que seria a mulher. Aquele ano passou choroso, derramando cada dia de uma vez no longo balde de míseras notícias que ele já esquecera e que nem fizeram sentido quando aconteceram. Sequer era ano de eleição e tudo se resumia em um não ser quase ridículo.

Soprou vinte e seis velas em outro fevereiro quente e com chuvas fortes, um ano em branco: vazio de amores, seco de gozos e prazeres intensos ou pelo menos compensadores, um ano a mais longe da terceira, aquela mulher bendita que ele aguardava sem pressa, porque de forma misteriosa acreditava que viria, um dia.

Mas enfim chegou a primeira, ou seria a segunda? Já nem se lembrava ao certo do porque tinha terminado tudo com aquela namorada que insistira para que ele procurasse uma cartomante, talvez ela quisesse saber mais de suas incertezas do que ele mesmo (será que ela queria ouvir que ela era a escolhida?) e, convenhamos, aos vinte e cinco quem não sabe nada do futuro não planejou coisa nenhuma e tá procurando um culpado.

Por incrível que pareça, surgiu em sua vida uma mulher, mas era só a primeira, a primeira de um ano cheio de bonança e prazeres passageiros, o que o ano anterior poupou, ele gastou sem dó. Beijou, pegou, apertou, gozou a vida da forma mais deliciosa que poderia, mas sempre pensando que ela não era a terceira... Precisava conhecer a segunda logo.

A segunda, a segunda, a segunda. O número dois era seu favorito, pensava ele uma noite antes de dormir... dois seios, dois olhos brilhantes, duas mãos a lhe acariciar, mesmo dois chocolates eram sempre melhor do que um, e antes das duas da manhã ele nunca dormia... É... talvez a segunda lhe trouxesse mais do que lhe trouxe a primeira.

Chuva, trovões, tempo úmido, barro nos sapatos, camisas molhadas, risos histéricos, dois olhos com hímel escorrendo, um olhar. Era ela. Infelizmente era a segunda... seus lábios eram tão macios quanto um colchão e ele adorava se jogar neles. Aqueles olhos brilhantes pareciam penetrar-lhe a alma e os braços?! Braços aconchegantes e tão perfumados que dava vontade de ser abraço pra sempre... Certa noite, depois de encontrá-la, chegou a pensar que talvez ela fosse mesmo a terceira, não poderia ter sido a namorada a primeira?... Vai saber... Depois de pensar, resolveu investir na relação: mediu o dedo dela sob sua mão, comprou uma pequena e delicada aliança prateada, flores e chocolates... Os lábios dela ficavam ainda mais deliciosos doces.

Encontrou-a. O anel foi posto em seu dedo de forma inusitada: “amor, que é isso no seu cabelo?”... dedos enlaçados, lábios doces, beijos deliciosos, amor... amor!... amor? É... As coisas mudaram no outro dia. De alguma forma ela – a terceira? – já não era mais a mesma. Sorria pouco, não atendia aos telefonemas, mensagens e respostas monossilábicas. Bastou um que você tem para que ela chorasse, dissesse que o amava muito, mas que não o merecia. Talvez ela não fosse a terceira... ou ele a perdera na ansiedade de possuí-la.

Fossa! Choro! Ligações sem resposta! Depois? Cerveja, vodca, whisky... Dias sem comer direito. Quase cinco quilos a menos, olheiras, cheiro de cigarro, cabelo ser cortar... Seria engraçado se não fosse trágico. Depois de uma ervinha, riu, lembrando-se da loira peituda. Filha da puta! Queria esquecer a terceira, mas como esquecer algo que não existe?! Na verdade, o seu sofrimento era muito dolorido, dor mesmo era não saber se a mulher do anel era a terceira ou apenas a segunda.


Agradeço à contribuição maravilhosa do DuduLuiz de Souza (escritor, pesquisador e músico mineiro).

Procurando...

Em cima do muro procurando ideias...

A poesia me deixou
ou será que eu deixei a poesia perdida embaixo da rotina?

Quem saberá?

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Raul fora da lei


Eu ando cansada dessa poesia que não engrandece
Se Raul Seixas estivesse vivo
Certamente riria do mundo
Riria da poesia medíocre e retrógrada
Que ainda hoje se cisma escrever

Enquanto eu me canso dessa poesia irreflexiva
Que somente prescreve o que deve ser feito
O poeta me diz “o certo é o errado e o errado é o certo”
E eu não tenho colírio nem uso óculos escuros
Atualmente estou cega, com uma visão enferrujada.

Minha poesia já não tem voz
E a vida alternativa é mito, utopia
Tudo que faço é controlado
Pelo sistema, pela crítica
Pelo meu chefe, minha mãe, pelo...

Tudo nesse mundo me lembra um carimbo
Se não for carimbado, registrado, com selo de qualidade
Não será lido, não será pensado
O que eu queria mesmo era fazer parte disso
Mas eu não posso, isso tudo não sou eu.

“Plut plat zum” eu estou me partindo
Mas não sem problema algum
mas é melhor assim
porque se eu parar...
eu juro
que não aguento...


Enquanto isso... Camila ri com seus olhos pequenos... Ri de mim!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Proposta de Produção de texto dissertativo

Proposta de trabalho – Texto Argumentativo

1 Série a que se destina: 3º Ano – Ensino Médio

2 Objetivos (para a leitura e produção escrita):

Desenvolver as competências leitoras e escritoras de textos argumentativos dentro da tipologia dissertativa.
Relacionar imagens e texto
Relacionar a dissertação ao seu contexto de produção (interlocutores, finalidade, lugar e momento em que se dá a interação) e suporte de circulação original (geralmente voltado para as provas, mas pode-se pensar em jornais e artigos de opinião que usam a tipologia)
Identificar o tema do texto

Reconhecer os efeitos de sentido provocados pela combinação, no texto, de introdução, argumentos e opiniões

Inferir, a partir de elementos presentes no próprio texto, o uso de palavras ou expressões de sentido figurado.

Aceitar ou recusar as posições ideológicas identificadas nos textos

Estabelecer relações intertextuais entre o texto e outros a que se referem.

Planejar o texto dissertativo: ler os textos oferecidos como suporte, pesquisar outras informações, conhecer o tema de que tratará.

Produzir dissertação, levando em conta o gênero e seu contexto de produção, estruturando-o de maneira a garantir a relevância das partes em relação ao tema e aos propósitos do texto e a continuidade temática.

Revisar e editar o texto.

Produzir título para texto

Identificar os elementos constitutivos do gênero: título, introdução (ancoragem), desenvolvimento (procedimentos argumentativos) e conclusão.


3 Conceitos explorados: linguagem denotativa e conotativa, texto argumentativo (introdução, desenvolvimento e conclusão), procedimentos e recursos argumentativos (exemplificação, explicitação, enumeração e comparação)

4 Reprodução dos textos utilizado (como suporte):
http://www.fuvest.br/vest2007/provas/2fase/por/por06.stm (proposta de redação da Fuvest 2007)

http://www.fuvest.br/vest2007/bestred/502456.stm (texto com boa nota)

http://www.fuvest.br/vest2007/bestred/507909.stm (texto com boa nota)


5 Descrição da proposta:
Esta proposta visa proporcionar aos alunos uma vivência próxima da que será exigida no momento de realização do vestibular. Orientando-os sobre os procedimentos argumentativos a serem usados numa dissertação.

6 Explicação das estratégias a serem utilizadas para o desenvolvimento da proposta:
a. Retomada do conhecimento prévio dos alunos acerca do tema amizade;
b. Distribuição de uma cópia da proposta de redação para que os alunos possam acompanhar a leitura e ter o material para consulta posterior;

c. Leitura da proposta em voz alta, com intervenções dos alunos sobre suas opiniões;

Leitura dos textos modelos expostos no site, atentando para os argumentos e recursos utilizados. É interessante que o professor use estes e outros textos com o mesmo tema (há outro no site da FUVEST) para ilustrar os recursos.

d. Esclarecimento sobre a construção do primeiro parágrafo e dos recursos de introdução.(tanto pode-se trabalhar com a proposta de Sayeg-Siqueira, que aborda a ancoragem e a conceituação no primeiro parágrafo, quando a de Antonio Carlos Viana, que segue abaixo)

ARTICULAÇÃO DO PRIMEIRO PARÁGRAFO

18 FORMAS PARA VOCÊ COMEÇAR UM TEXTO

Ao escrever seu primeiro parágrafo, você pode fazê-lo de forma criativa. Ele deve atrair a atenção do leitor. Por isso, evite os lugares-comuns como: atualmente, hoje em dia, desde épocas remotas, o mundo de hoje, a cada dia que passa, no mundo em que vivemos, na atualidade.

Listamos aqui dezoito formas de começar o seu texto, elas vão das mais simples às mais complexas.

1. Uma declaração - é a forma mais comum de começar um texto. Procure fazer uma declaração forte, capaz de surpreender o leitor.

É um grave erro a liberação da maconha. Provocará de imediato violenta elevação do consumo. O Estado perderá o precário controle que ainda exerce sobre drogas psicotrópicas e nossas instituições de recuperação de viciados não terão estrutura suficiente para atender à demanda. (Alberto Corazza, Isto é, dez. 1995)

2. Definição – é uma forma simples e muito usada em parágrafos-chave, sobretudo em textos dissertativos. Pode ocupar só a primeira frase ou todo o primeiro parágrafo.

O mito, entre os povos primitivos, é uma forma de se situar no mundo, isto é, de encontrar o seu lugar entre os demais seres da natureza. É um modo ingênuo, fantasioso, anterior a toda reflexão e não-crítico de estabelecer algumas verdades que não só explicam parte dos fenômenos naturais ou mesmo a construção cultural, mas que dão, também, as formas de ação humana. (ARANHA, M.L.A.; MARTINS, M. H.P. Temas de filosofia. São Paulo, Moderna, 1992. P. 62)

3. Divisão – o autor separa duas ideias explicando-as no parágrafo que segue.

Predominam ainda no Brasil duas convicções errôneas sobre o problema da exclusão social: a de que ela deve ser enfrentada apenas pelo poder público e a de que sua superação envolve muitos recursos e esforços extraordinários. Experiências relatadas nesta Folha mostram que o combate à marginalidade social em Nova York vem contando com intensos esforços do poder público e ampla participação da iniciativa privada. (Folha de S. Paulo, 17 dez. 1996)

4. Oposição – O autor cria uma oposição entre as ideias para seguir para a argumentação.

De um lado, professores mal pagos, desestimulados, esquecidos pelo governo. De outro, gastos excessivos com computadores, antenas parabólicas, aparelhos de videocassete. É esse o paradoxo que vive hoje a educação no Brasil.

5. Alusão histórica – O conhecimento dos principais fatos históricos ajuda a iniciar um texto. O leitor é situado no tempo e pode ter uma melhor dimensão do problema.

Após a queda do Muro de Berlim, acabaram-se os antagonismos leste-oeste e o mundo parece ter aberto de vez as portas para a globalização. As fronteiras foram derrubadas e a economia entrou uma rota acelerada de competição.

6. Uma pergunta A pergunta não é respondida de imediato. Ela serve para despertar a atenção do leitor para o tema e será respondida ao longo da argumentação.

Será que é com novos impostos que a saúde melhorará no Brasil? Os contribuintes já estão cansados de tirar dinheiro do bolso para tapar um buraco que parece ao ter fim. A cada ano, somos lesados por novos impostos para alimentar um sistema que só parece piorar.

7. Uma frase nominal seguida de explicação – Usa-se uma frase com núcleo nominal.

Uma tragédia. Essa é a conclusão da própria Secretaria da Avaliação e Informação Educacional do Ministério da Educação e Cultura sobre o desempenho dos alunos do 3º ano de 2ºgrau submetidos ao Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), que ainda avaliou estudantes da 4ª série e da 8ª série do 1º grau em todas as regiões do território nacional. (Folha de S. Paulo, 27 nov. 1996)

8. Adjetivação – iniciar uma frase com um adjetivo é a base para desenvolver um tema.

Equivocada e pouco racional. Esta é a verdadeira adjetivação para a política educacional do governo. (Anderson Sanches, INfocus, n.5, ano 1, out. 1996. p.2)

9. Citação – A citação inicial facilita a continuidade do texto, pois ela será retomada.

“As pessoas chegam ao ponto de uma criança morrer e os pais não chorarem mais, trazerem a criança, jogarem num bolo de mortos, virarem as costas e irem embora”. O comentário, do fotógrafo Sebastião Salgado, falando sobre o que viu em Ruanda, é um acicate no estado de letargia ética que domina algumas nações do Primeiro Mundo. (DI FRANCO, C.A. Jornalistmo, ética e qualidade. Rio de Janeiro, Vozes, 1995. 0.73)

10. Citação de forma indireta Esse recurso deve ser usado quando não sabemos textualmente uma citação. É melhor citar de forma indireta do que de forma errada.

“Para Marx a religião é o ópio do povo. Raymond Aron deu o troco: o marxismo é o ópio dos intelectuais. Mas nos Estados Unidos o ópio do povo é mesmo ir às compras. Como as modas americanas são contagiosas, é bom ver de que se trata. (Claudio de Moura e Castro, Veja, 13 nov. 1996)

11. Exposição do ponto de vista oposto – Ao começar o texto com uma opinião contrária, delineia-se de imediato, qual a posição dos autores. O objetivo será refutar os argumentos do opositor, numa espécie de contra-argumentação.

O ministro da Educação se esforça para convencer de que o provão é fundamental para a melhoria da qualidade do ensino superior. Para isso, vem ocupando generosos espaços na mídia e fazendo milionária campanha publicitária, ensinando como gastar mal o dinheiro que deveria ser investido na educação. (Orlando Silva Junior e Eder Roberto Silva, Folha de S. Paulo, 5 nov. 1996)

12. Comparação – para introduzir um tema o autor estabelece comparações.

O tema da reforma agrária está presente há bastante tempo nas discussões sobre os problemas mais graves que afetam o Brasil. Numa comparação entre o movimento pela abolição da escravidão no Brasil, no final do século passado e, atualmente, o movimento pela reforma agrária, podemos perceber algumas semelhanças. Como na época da abolição da escravidão existiam elementos favoráveis e contrários a ela, também hoje há os que são a favor e os que são contra a implantação da reforma agrária no Brasil. (OLIVEIRA, Pérsio Santos de. Introdução à sociologia. São Paulo, Ática, 1991. p.101)

13. Retomada de um provérbio – sempre que você usar esse recurso, não escreva o provérbio simplesmente. Faça um comentário sobre ele para quebrar a ideia de lugar-comum que todos eles trazem.

O corriqueiro adágio de que o pior cego é o que não quer ver se aplica com perfeição na análise sobre o atual estágio da mídia: desconhecer ou tentar ignorar os incríveis avanços tecnológicos de nossos dias, e supor que eles não terão reflexos profundos no futuro dos jornais é simplesmente impossível. (Jayne Sirotsky, Folha de S. Paulo, 5 dez. 1995)

14. Ilustração – Você pode começar narrando um fato para ilustrar o tema.

O Jornal do Comércio, de Manaus, publicou um anúncio em que uma jovem de dezoito anos, já mãe de duas filhas, dizia estar grávida mas não queria a criança. Ela a entregaria a quem se dispusesse a pagar sua ligação de trompas. Preferia dar o filho a ter que fazer um aborto. O tema é tabu no Brasil. (...) (A. C. Viana, O quê, edição de 16 a 22 jul. 1994)

15. Uma sequencia de frases nominais (sem verbo) – Aqui as estruturas frasais devem ser semelhantes, favorecendo o paralelismo.

Desabamento de shopping em Osasco. Morte de velhinhos numa clínica do Rio. Meia centena de mortes numa clínica de hemodiálise em Caruaru. Chacina de sem-terra em Eldorado dos Carajas.

Muitos meses já se passaram e esses fatos continuam impunes.

16. Alusão a um romance, um conto, um poema, um filme – um resumo da obra serve de introdução para desenvolver o tema da intolerância religiosa.

Quem assistiu ao filme A rainha Margot, com a deslumbrante Isabelle Adjani, ainda deve ter os fatos vivos na memória. Na madrugada de 24 de agosto de 1572, as tropas do rei de França, sob ordens de Catarina de Médicis, a rainha-mãe e verdadeira governante, desencadearam uma das mais tenebrosas carnificinas da História. (...)

Desse horror a História do Brasil está praticamente livre (...)

17. Descrição de um fato de forma cinematográfica O parágrafo se desenvolve por meio de flashs, o que dá agilidade ao texto e prende a atenção do leitor.

Madrugada de 11 de agosto. Moema, bairro paulistano de classe média. Choperia Bodega – um bar da moda, frequentado por jovens bem-nascidos.

Um assalto. Cinco ladrões. Todos truculentos. Duas pessoas mortas: Adriana Ciola, 23, e José Renato Tahan, 25. Ela, estudante. Ele, dentista. (Josias de Souza, Folha de S. Paulo, 30 set. 1996)

18. Omissão de dados identificadores­ – Cria-se uma expectativa em relação ao tema.

Mas o que significa, afinal, esta palavra, que virou bandeira da juventude? Com certeza não é algo que se refira somente à política ou às grades decisões do Brasil e do mundo. Segundo Tarcisio Padilha, ética é um estudo filosófico da ação e da conduta humanas cujos valores provêm da própria natureza do homem e se adaptam às mudanças da história e da sociedade. (O Globo, 13 set. 1992)

e. Orientar os alunos a escreverem os aspectos que querem defender sobre o tema, para que possam usá-los para introduzir sua dissertação. Eles podem se orientar pelas questões:

Que questões podem ser feitas acerca do tema?

Que posição vou defender?

Que argumentos vou usar para defender minha opinião?

f. Solicitar aos alunos a produção do primeiro parágrafo.

g. Recolher e fazer intervenções OU corrigir enquanto escrevem, pois eles costumam mostrar assim que acabam.

h. Somente após o aluno ter construído um primeiro parágrafo adequado deve-se pedir que ele desenvolva seus argumentos
i. Explicar os tipos de recursos argumentativos que podem ser utilizados, sugiro a proposta de Sayeg-Siqueira, que segue:

PROCEDIMENTOS ARGUMENTATIVOS

Sempre que um texto é produzido, estabelece-se para ele um leitor, ou um receptor, que pode ser alguém específico, como é o caso de uma carta, ou alguém virtualmente estabelecido, sem que se tenha conhecimento preciso do leitor que se vai ter, ou seja, qualquer um. Mas, tanto faz o tipo de leitor, o importante mesmo é que seja instaurado um processo comunicativo entre autor e leitor, via texto.

Em todo processo comunicativo, informa-se algo para alguém, e o texto é elaborado de forma que o leitor entenda, assimile e a te aceite a informação que está sendo transmitida.

Para que isso aconteça o autor lança mão de procedimentos chamados de Argumentação. O procedimento não é uma característica só do texto dissertativo, mas de qualquer tipo de texto, uma vez que é uma característica inerente à própria linguagem. Dessa forma, podemos dizer que todos os recursos utilizados para se estabelecer uma interação comunicativa é um procedimento argumentativo. Daí ser uma característica da própria linguagem.

Assim, na dissertação, o procedimento argumentativo está diretamente ligado ao tipo de ancoragem apresentado e, principalmente, à opinião formulada, uma vez que entre ancoragem e opinião, existe uma estreita ligação.

1. Argumentação eficaz

São diversos os recursos argumentativos utilizados pelo autor para justificar sua opinião – o importante é a forma como o argumento é apresentado, pois precisa ser consistente, passando para o leitor um valor de verdade.

Quando a opinião formulada pelo autor trouxer dúvida, inquietação, desconhecimento, ela precisa ser justificada e essa justificativa tem de ser condizente com a expectativa criada, ou seja, responder à dúvida, inquietação ou desconhecimento decorrentes.

Se as justificativas apresentadas são adequadas, dizemos que o texto apresenta boa argumentação, ou seja, a opinião do autor foi bem fundamentada e pode levar o outro a compreender a informação transmitida e até a aceitá-la.

Quando isso acontece, dizemos que a argumentação é eficaz e que o texto cumpriu seu objetivo no processo de interação comunicativa entre autor e leitor.

2. A argumentação falaciosa

No entanto, isso nem sempre acontece, muitas vezes, por descuido do autor ao fundamentar sua opinião, ou por falta de conhecimento mais aprofundado sobre o assunto.

Quando a argumentação não é consistente, ou seja, não se fundamenta em bons argumentos, não responde às dúvidas do leitor de forma eficaz, diz-se que é falaciosa, falsa, por não confirmar com justeza a opinião formulada pelo autor.

Assim, devemos nos preocupar com dois aspectos ao escrever um texto dissertativo: a falácia e eficácia.

RECURSOS ARGUMENTATIVOS PARA FUNDAMENTAR UMA OPINIÃO

1. Exemplificação

Quando a opinião formulada é possível de ser ilustrada, adota-se o recurso argumentativo da exemplificação. Isso porque a opinião formulada é passível de ser ilustrada, uma vez que ela apresenta uma completude significativa.

2. Explicitação

Quando a opinião fala de conceitos que não são explícitos, ou seja, totalmente claros, o mais adequado é utilizar o recurso da explicitação, pois ele permite que sejam feitas inferências sobre o tema abordado.

3. Enumeração

Quando se sabe exatamente a quantidade de fatores a serem discutidos e defendidos acerca da opinião, utilizamos o recurso da enumeração, no qual não devemos nos esquecer de deixar claros quais são os fatores e nem de explicitar cada um deles.

4. Comparação

Quando se faz referência ao passado ou a outras culturas, situações se pode adotar o recurso da comparação, de forma a estabelecer um paralelo entre a opinião defendida e a referência citada, garantindo com isso a credibilidade da opinião.

A ARGUMENTAÇÃO MAIS EFICAZ E CONSISTENTE

Para tornar o recurso argumentativo mais sólido, cumprindo assim, com maior eficácia, sua função, pode-se expandi-lo através de diferentes meios: ordenação, classificação, hierarquização, causa, consequência, definição, qualificação, interpretação, tempo, espaço, dados estatísticos, testemunhos, analogia, contraste etc.

1. Exemplificação por hierarquização e dados estatísticos

A hierarquização decorre da relação do mais genérico (geral) para o mais específico. Aqui, os dados estatísticos são mostrados pelos números e pela porcentagem.

2. Exemplificação por apresentação de causas

O autor apresenta exemplos e para esclarecê-los levanta causas que o justifiquem.

3. Explicitação por definição e testemunho

O autor procura explicitar um “porquê” buscando estabelecer para ela uma definição mais precisa, apoiando-se, inclusive, em testemunhos de culturas diversas, como indianos, chineses etc.

4. Explicitação por interpretação

O autor tenta explicar algo explicitando-o através de interpretações, a partir de diversos fatores.

5. Enumeração de fatores por sequência de tempo

Faz-se uma enumeração apresentando as datas (ou períodos temporais) em que ocorreram.

6. Enumeração de fatos por sequência de lugares

O autor apresenta uma sequência de lugares que marcam o percurso espacial percorrido por um determinado fator. A enumeração NÃO é marcada por numerais (elementos de valor numérico), mas por advérbios que exercem a mesma função: “inicialmente”, “depois” e “finalmente”, por exemplo.

7. Comparação por analogia

O autor compara, por traços semelhantes.

Analogia: s.f. Relação, semelhança de uma coisa com outra: analogia de formas, de gostos. http://www.dicio.com.br/analogia/

8. Comparação por contraste

A autora compara duas tendências diversas acerca de um assunto partindo de seus aspectos diferentes e contrastivos.

j. Os alunos, então, devem retomar suas anotações, construindo, a partir da proposta do primeiro parágrafo os parágrafos argumentativos defendendo a posição assumida.

k. A partir disso, pode-se fazer intervenções antes ou depois de propor a construção da conclusão, sugiro abordar as formas propostas também por Sayeg-Siqueira, veja:

COMO ELABORAR UMA CONCLUSÃO

A conclusão, no texto dissertativo, é apresentada como um resultado, decorrente da ancoragem proposta, da opinião formulada e dos recursos argumentativos apresentados.

Esse resultado é uma espécie de reexame da ancoragem proposta frente à opinião formulada. Assim, constrói um novo valor conceitual para a abordagem dada ao assunto, atribuindo novos valores, acrescentando novos dados, propondo novas características, enfim, alterando-as e expandindo-a.

1. Síntese

A síntese é um sumário, um resumo calcado na informação selecionada dentre aquelas que expandiram o texto, geralmente através de uma palavra, de uma frase ou de um período curto.

Quando as diversas explicitações não o conduzem a uma resposta possível, dado o número de definições ser ilimitado. Pode-se, portanto, procurar o que é indispensável apresentando nova enumeração organizada a partir de um cancelamento (eliminação) que vai resultando numa seleção.

Feitos os cancelamentos, chega uma síntese dos elementos necessários para se ter uma definição do objeto discutido.

2. Agregação

A agregação é proposta a partir de um processo de associação, de reunião, enfim, da junção numa só palavra ou numa só frase dos aspectos mais relevantes das informações dadas no texto. Ao elaborar a conclusão por agregação, o autor tem a intenção de propor uma nova ideia, mais abrangente, mais concisa, que abarque e transforme as informações apresentadas.

Na síntese, o autor faz uma retomada seletiva dos aspectos mencionados mais relevantes e os apresenta; na agregação, não são retomadas alguns aspectos, mas uma ideia mais abrangente é apresentada.

3. Inferência

A inferência apresenta um fechamento para o texto, decorrente de uma dedução. A partir das informações levantadas, deduz-se uma conclusão através do raciocínio, podendo-se, inclusive, operar com dados que não foram explicitados no texto.

Para justificar sua opinião, o autor monta um jogo de causas e consequências, a fim de consolidar sua opinião, frente a isso, faz deduções e hipotetiza sobre a possibilidade de um futuro melhor e alerta sobre um possível fracasso.

Assim, podemos dizer que a conclusão é proposta a partir de inferências, ou seja, colocações deduzidas, a serem confirmadas.

4. Relação de causa e consequência

A relação de causa e consequência apresenta um fato, ou uma atitude, ou uma razão, enfim, um motivo do qual decorre um determinado efeito.

l. Os alunos devem então definir um título para seu texto, lembrando-se de que ele deve ser significativo e contemplar o tema.

m. Em seguida, é interessante propor aos alunos uma releitura da dissertação, fazendo eventuais correções e solicitar que façam trocas entre duplas para receber sugestões também dos colegas.

7 Bibliografia

VALENÇA, Ana; CARDOSO, Denise Porto; MACHADO; Sonia Maria; VIANA, Antonio Carlos (coord.). Roteiro de redação – Lendo e argumentando. 1ªed. São Paulo: Editora Scipione, 1998.

SAYEG-SIQUEIRA, João Hilton. Organização do Texto Dissertativo. 1ª ed. São Paulo: Selinunte, 1995.