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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Aula Inaugural 2018

Eu adoro a possibilidade de iniciar o ano de um jeito totalmente novo, então passo parte das férias pensando em como inaugurar o ano letivo de maneira calorosa e produtiva. Nem sempre é fácil pensar em um projeto novo para esse dia, especialmente porque ainda não conheço os alunos que estão chegando e corro o risco de o planejamento não atender ao meu público. Então sempre procuro já incluir parte do currículo nesta aula. 

Este ano eu gostei muito do resultado - contei com a ajuda de muita gente boa em práticas pedagógicas - mas ainda estamos em construção. Caso você leia o projeto e tenha ideias novas, compartilhe comigo!

Aula Inaugural - 2018


1. Dados Gerais
EU SOU FRAGMENTO DE MIM MESMO

Produto final: Carta pessoal pra si mesmo - inviolável
Duração: 2 aulas 
Professor: Raquel Donegá de Oliveira – Língua Portuguesa

2. Objetivos
Gerais
Favorecer a construção da identidade escolar, fortalecida pela autoestima individual a ser desenvolvida pela melhoria do coeficiente intelectual;
Desenvolver capacidade de produzir textos autorais a partir dos conhecimentos prévios e da leitura de mundo.

Específicos
Estimular audição atenta de músicas conectando-as com temas propostos, fortalecendo a autoestima linguística e ampliando as possibilidades de comunicação e interação social;
Reconhecer diferentes intenções comunicativas e avançar no seu processo de construção de significados, enriquecendo cada vez mais sua capacidade expressiva;
Produzir textos autorais em língua portuguesa a partir do gênero carta;
Registrar um produto físico (texto) capaz de eternizar a memória adolescente e que sirva futuramente para analisar-se subjetivamente.
Estabelecer vínculos afetivos e de troca entre os jovens, fortalecendo sua autoestima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e interação social;
Utilizar as diferentes linguagens (corporal, oral e escrita) ajustadas à intenção e situação de comunicação, de forma a compreender e ser compreendido, expressar suas ideias, sentimentos, necessidades e desejos e avançar no seu processo de construção de significados, enriquecendo cada vez mais sua capacidade expressiva;

3. Justificativa
O primeiro dia de aula é sempre um momento de ansiedade e angústia, marcado por encontros, reencontros, formação de laços e escolhas subjetivas.
Tanto para o aluno quanto para o professor é um momento de retornar à rotina escolar, readentrar o ambiente que lhe cabe para tal fim e estabelecer relações marcadas pelo processo de ensino-aprendizagem, que será subsidiado pelas diversas construções ao longo do ano letivo.
Ainda que não se verbalize essa angústia, promovendo aulas inaugurais mais festivas e receptivas, o ambiente é extremamente propício para ativar as experiências de fruição, reflexão sobre a ação, construção de valores e análise da trajetória escolar. Isso ocorre porque os alunos vêm preparados para o novo e estão, em geral, dispostos a conhecer as novas maneiras que cada professor pode ter de ensinar.
A proposta dessa aula pretende diminuir as angústias subjacentes ao retorno, favorecer a criação de novos laços e potencializar a fruição pessoal por meio da linguagem oral, escrita e de sinais.
Pretende-se, pois, levar o aluno a interagir consigo mesmo e com a sua personalidade, confrontar suas impressões de si mesmo às que causa e percebe nos outros e refletir sobre seu passado, presente e futuro, abordando em sua carta os diversos fragmentos de sua vida que o formaram, a saber: família, escola, amizades, participação social (igreja, comunidade, etc), profissão – pretensões futuras etc.

4. Metodologia

Ao desenvolver esta atividade é fundamental que o professor leve o aluno à reflexão. O aluno pode abster-se de produzir o texto (este não deverá servir de instrumento avaliativo), mas é importante que apenas os textos produzidos e entregues durante a aula sejam aceitos e guardados para a entrega futura. Os alunos podem produzir outras cartas caso queiram, mas é importante ter um instrumento produzido durante a indução da fruição.
a)    Cerimônia de abertura;
Audição da música - O que eu também não entendo – J. Quest
Cada aluno receberá um papel para anotar um trecho com o qual se identifique na escola.
b)    Construção das orientações que permearão o desenvolvimento do círculo;
- Combinados de comportamento
- Silêncio e respeito
- Mudança de lugar em caso de desatenção
- Ação de silenciamento: levantar o braço
- Apresentação do bastão de fala – levar um espelho
c)    Formação e manutenção do círculo
è Apresentação individual a partir da pergunta: “Quem sou eu?”
è Direcionamento inicial: leitura da frase escolhida e explicação do porque a escolheu
è Direcionamento final: O que pretendo aprender este ano?

d)    Entrega de papéis brancos para cada aluno e solicitar que peguem canetas.
e)    Apresentação do modelo de carta e revisão das partes que a compõem.
  
f)     Orientação da escrita de carta pessoal cujo destinatário é ele mesmo, mas no futuro – explicar o caráter inviolável das cartas e apresentar as características “obrigatórias” da carta (data, destinatário, conteúdo, despedida e assinatura).

g)    Colocar as cartas em envelopes e preenche-los de acordo com a orientação



h)    Recolher e guardar.
i)      Finalizar a aula com a escuta ativa da música Tempos Modernos – J Quest
j)      Promover um espaço aberto de diálogo para últimas impressões

Algumas sugestões de vídeos para trabalhar interdisciplinaridade;
Nunca deses de viajar

https://vimeo.com/channels/664765/51991755


5. Avaliação
1·        Processual
Instrumentos de avaliação:
1.    Efetiva participação no projeto
     2.    Roda de conversa

6. Finalização
As cartas e produções serão devolvidas para os alunos ao final do ano letivo, possibilitando uma autoanálise comparativa.

Aplicou? Adaptou? 
Divida sua experiência comigo @queldonega 

sábado, 23 de outubro de 2010

Divagações

Hoje li a crônica intitulada “Será que a leitura de jornais nos torna estúpidos?”, do Rubem Alves (o link para ela está lá embaixo). Nessa crônica, ele trata de vários aspectos referentes à leitura, uma obra sem dúvida dialógica e intertextual. Perfeita para ler e para orientar leituras também na sala de aula.

Duas coisas me chamaram atenção nessa crônica, a primeira é que fiquei pensando “Será que eu ensino meus alunos a pensar ou simplesmente oriento o pensamento deles?”. Não sei responder ainda... mas quando eles vão contra algo que digo sinto que estou no caminho certo.

A segunda me tocou ao ler este trecho “Esse gosto pela minúcia escabrosa se deriva da pornografia, que encontra seus prazeres na contemplação dos detalhes sórdidos, que são sempre os mesmos, como o comprovam as salas de “imagens eróticas“ da Internet.” Para Alves o jornal nada mais faz do que dar detalhes que a gente não precisa sobre coisas que a gente também não precisa saber. (PIIIIII!)

Mas a questão da pornografia me fez pensar... é sempre muito complicado explicar para as pessoas a diferença do erotismo e da pornografia. Um amigo, Fabiano Freire, diz que o erotismo é a pornografia com a luz apagada, mas que se acende de vez em quando. A pornografia, ah, a pornografia é a luz acesa o tempo todo, “a contemplação dos detalhes sórdidos” e repetidos.

Quem leu um poema pornográfico leu todos, quem leu um poema erótico, bom, quem leu um poema erótico acendeu a sua própria luz.

http://www.rubemalves.com.br/seraquealeituradosjornaisnostornaestupidos.htm