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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

OffLife


A carência é o mal do século.
Nenhuma tecnologia substituirá o toque.
A comunicação é eficiente
mas cada um no seu computador.

A vida passa cada vez mais vazia:
sem toque.


Sabe-se do mundo
mas só se mostra ao mundo

a melhor foto

a melhor frase
o melhor sorriso
o melhor do melhor do mundo

Na rede conhecemos muita gente que não existe
que se reinventa a cada postagem
a cada compartilhamento ou curtida
a cada foto photoshopada

Tem gente que é tão onipresente
tão disponível e acessível
com uma linha do tempo tão extensa
intensidade pura
mas, pessoalmente... não passa de sombra

Pessoas que humanizam máquinas
e maquinizam pessoas,
se tornando virtuais
no sentido mais triste da palavra.

Não quero amigos digitais
nem desculpas via satélite
nem feliz aniversário numa página online
não quero abraços distantes
nem arquivos de dispositivos móveis

Quero risadas ao vivo
o choro que acompanha o abraço
o riso que vem depois da queda
- que não é do servidor -
quero lembranças
- memórias que não se apagarão -
quero conversas sem backups
e que poderei acessar mesmo quando não tiver energia
quero um beijo de boa noite
um sorriso de bom dia
e deixar de estar offlife...

sábado, 23 de outubro de 2010

Divagações

Hoje li a crônica intitulada “Será que a leitura de jornais nos torna estúpidos?”, do Rubem Alves (o link para ela está lá embaixo). Nessa crônica, ele trata de vários aspectos referentes à leitura, uma obra sem dúvida dialógica e intertextual. Perfeita para ler e para orientar leituras também na sala de aula.

Duas coisas me chamaram atenção nessa crônica, a primeira é que fiquei pensando “Será que eu ensino meus alunos a pensar ou simplesmente oriento o pensamento deles?”. Não sei responder ainda... mas quando eles vão contra algo que digo sinto que estou no caminho certo.

A segunda me tocou ao ler este trecho “Esse gosto pela minúcia escabrosa se deriva da pornografia, que encontra seus prazeres na contemplação dos detalhes sórdidos, que são sempre os mesmos, como o comprovam as salas de “imagens eróticas“ da Internet.” Para Alves o jornal nada mais faz do que dar detalhes que a gente não precisa sobre coisas que a gente também não precisa saber. (PIIIIII!)

Mas a questão da pornografia me fez pensar... é sempre muito complicado explicar para as pessoas a diferença do erotismo e da pornografia. Um amigo, Fabiano Freire, diz que o erotismo é a pornografia com a luz apagada, mas que se acende de vez em quando. A pornografia, ah, a pornografia é a luz acesa o tempo todo, “a contemplação dos detalhes sórdidos” e repetidos.

Quem leu um poema pornográfico leu todos, quem leu um poema erótico, bom, quem leu um poema erótico acendeu a sua própria luz.

http://www.rubemalves.com.br/seraquealeituradosjornaisnostornaestupidos.htm