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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

OffLife


A carência é o mal do século.
Nenhuma tecnologia substituirá o toque.
A comunicação é eficiente
mas cada um no seu computador.

A vida passa cada vez mais vazia:
sem toque.


Sabe-se do mundo
mas só se mostra ao mundo

a melhor foto

a melhor frase
o melhor sorriso
o melhor do melhor do mundo

Na rede conhecemos muita gente que não existe
que se reinventa a cada postagem
a cada compartilhamento ou curtida
a cada foto photoshopada

Tem gente que é tão onipresente
tão disponível e acessível
com uma linha do tempo tão extensa
intensidade pura
mas, pessoalmente... não passa de sombra

Pessoas que humanizam máquinas
e maquinizam pessoas,
se tornando virtuais
no sentido mais triste da palavra.

Não quero amigos digitais
nem desculpas via satélite
nem feliz aniversário numa página online
não quero abraços distantes
nem arquivos de dispositivos móveis

Quero risadas ao vivo
o choro que acompanha o abraço
o riso que vem depois da queda
- que não é do servidor -
quero lembranças
- memórias que não se apagarão -
quero conversas sem backups
e que poderei acessar mesmo quando não tiver energia
quero um beijo de boa noite
um sorriso de bom dia
e deixar de estar offlife...

quarta-feira, 23 de março de 2011

A Indisciplina





A indisciplina sempre foi um tema discutido na escola, sendo geralmente atribuída à postura permissiva (ou evasiva) da família em relação à aprendizagem, aos aspectos relacionados ao relacionamento professor-aluno e ainda à questões de aprendizagem, já que os alunos que apresentam dificuldades cognitivas em geral tem um comportamento que busca mascarar isso.



Observa-se, por exemplo, que, quando a família não tem uma postura ativa e responsável diante das atividades escolares e extra-classe, o aluno reflete essa postura, esperando sempre que outro responda pelas suas ações e lhe dê aquilo que a família não proporcionou. Nesse sentido, caberia ao professor (ou à escola), então, se responsabilizar por todos os aspectos da aprendizagem do aluno?
O mesmo ocorre em relação aos déficits de aprendizagem. Apesar de sinalizarmos para a família que a aprendizagem não está ocorrendo de forma adequada ao nível escolar, os pais não procuram orientação médica ou psicopedagógica para amenizar os problemas. Como o sistema educacional não conta com profissionais capacitados para atender a esses casos, o atendimento de um psicopedagogo seria pago pela família. Mas isso seria possível em bairros nos quais as crianças ainda vão para escola para comer o lanche, ou são matriculadas em escolas selecionadas por oferecer leite ou não?
O fato é que, como não aprendem, a maioria dos alunos com déficit na aprendizagem acaba caindo na indisciplina, pois é a única forma que encontram de “aparecer” na sala de aula enquanto esconder suas dificuldades (dos colegas e do professor).

Apesar disso, nota-se ao longo dos alunos que os professores cuja relação com os alunos é mais estreita, com mais afetividade e responsabilidade, não têm muitas reclamações acerca da indisciplina, pois, em geral, resolvem esses problemas diretamente com os alunos, sem causar constrangimento ou problemas para si mesmo.
Assim, a indisciplina é sim um problema escolar, mas suas causas devem ser investigadas, afim de que os alunos sejam os principais beneficiados no processo de ensino-aprendizagem e não vítimas de um sistema educacional que tende à falência.